Música transforma rotina hospitalar no Projeto EnCantar

Há momentos em que a música deixa de ser apenas som e passa a ser abraço. No Hospital e Maternidade Oase, em Timbó, ela percorreu corredores, atravessou rotinas e encontrou espaço entre olhares cansados, sorrisos discretos e pausas necessárias. Assim foi mais uma edição do Projeto EnCantar, iniciativa desenvolvida pelo Grupo de Trabalho de Humanização (GTH), que transforma notas musicais em cuidado e acolhimento dentro do ambiente hospitalar.

Na manhã do dia 6 de maio, o refeitório do hospital se transformou em um cenário de sensibilidade e emoção. Colaboradores foram surpreendidos por uma apresentação conduzida pelo professor Paulo Lacerda, da Fundação de Cultura e Turismo de Timbó, acompanhado pelos alunos Adriana Zatelli e Marlon Zanatta.

Ao som delicado das cordas, clássicos atravessaram o ambiente hospitalar e criaram uma atmosfera de leveza em meio à intensidade da rotina. Obras como “Trenzinho do Caipira”, de Heitor Villa-Lobos, “What a Wonderful World”, “Tema do Titanic”, “Enchained Melody”, além de composições clássicas e contemporâneas, emocionaram os presentes e arrancaram aplausos espontâneos a cada apresentação.

Mais do que entretenimento, a proposta do Projeto EnCantar é utilizar a música como ferramenta de humanização, promovendo melhora na autoestima de pacientes e colaboradores, além de proporcionar momentos de tranquilidade, conexão e bem-estar.

Reconhecida há décadas como recurso terapêutico complementar, a música possui papel importante na redução da ansiedade, no alívio emocional e na construção de ambientes mais acolhedores. No contexto hospitalar, ela se transforma em uma linguagem silenciosa capaz de confortar, aproximar e resgatar emoções positivas.

Para o professor Paulo Lacerda, levar a música ao hospital representa uma experiência profundamente significativa. Segundo ele, a arte tem a capacidade de mediar relações, despertar sentimentos e fortalecer a socialização entre as pessoas. “Ver pessoas sorrindo, cantando baixinho e curtindo o ambiente foi muito gratificante”, destacou.

A diretora de Música da Fundação, Meri Duwe, também ressaltou a importância da iniciativa. Para ela, participar de um projeto voluntário por meio da música amplia ainda mais o significado da arte e reforça o compromisso da Fundação com ações que promovem cuidado e sensibilidade.

Mais do que uma apresentação musical, a manhã deixou marcas afetivas em quem esteve presente. Entre acordes suaves, silêncios atentos e emoções compartilhadas, o Projeto EnCantar reafirmou que, mesmo em meio à correria hospitalar, sempre há espaço para aquilo que humaniza — e a música, mais uma vez, mostrou ser capaz de tocar muito além dos ouvidos.